Mais de 90% das crianças com síndrome de Down têm problemas auditivos

 

Unifesp mostra que a principal causa são as deficiências que podem ser prevenidas ou tratadas

 

Um estudo da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) sobre o perfil e rastreamento genético auditivo de crianças e adolescentes com síndrome de Down apontou que 92,6% destes pacientes apresentam algum tipo de problema auditivo, sendo que 70,4% são deficiências condutivas que podem ser prevenidas ou tratadas. A principal consequência é o aumento da dificuldade para aprender e desenvolver a linguagem. A deficiência auditiva condutiva ocorre na orelha média, que transforma a energia sonora em mecânica e só está plenamente desenvolvida por volta dos 7 anos. A causa mais freqüente, identificada em 68,5% dos casos, é a otite média secretora, que tem maior incidência em crianças com a síndrome porque nestes indivíduos há flacidez dos músculos e o sistema imunológico é mais frágil, tornando mais espessa a secreção produzida na orelha média. O problema geralmente se manifesta no primeiro anos de vida e coincide com o início do desenvolvimento da adenóide. O estudo indica a necessidade de avaliações otorrinolaringológicas e acompanhamento auditivo, por meio de imitânciometria e audiometria, nos primeiros anos de vida. “Por isso é importante que pais, professores e profissionais de saúde estejam atentos a este problema”, afirma o coordenador da pesquisa, Cheng T-Ping. O estudo foi realizado pela disciplina de Otorrinolaringologia da universidade, que passou a compor em 2009 o projeto de parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE).

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