LUTO

Perdas e ganhos

Somente após entender a natureza e os padrões do afeto é possível compreender o luto; por outro lado, as perdas podem ensinar sobre a natureza dos sentimentos. É com esse pensamento – que parece antagônico – que se baseia o psiquiatra Colin Murray Parkes para escrever Amor e perda – as raízes do luto e suas complicações, lançado pela Summus Editorial. Especialista em luto, o autor aborda as influências positivas e negativas geradas pelo apego em diferentes situações, como é o caso, por exemplo, de filhos de pais separados – que, em alguns casos, podem se tornar mais resistentes a traumas na fase adulta por terem vivido uma experiência difícil na infância. Parkes estuda outras adversidades como a perda dos pais na vida adulta, a de um filho, a privação materna na infância e a de um cônjuge ou parceiro. “É a transitoriedade da vida que engrandece o amor. Quanto maior o risco, mais forte se torna o vínculo. Para a maioria de nós, o fato de que um dia perderemos quem amamos, e eles a nós, nos aproxima, mas se torna um sino silencioso que nos desperta no meio da noite”, afirma. O autor ilustra a obra com citações e em um dos textos usa um trecho de Luto e melancolia (1917), um clássico de Freud: “A perda de um objeto amado constitui excelente oportunidade para que a ambivalência nas relações amorosas se faça efetiva e manifesta. Como conseqüência, quando existe uma disposição para a neurose obsessiva, o conflito devido à ambivalência empresta um cunho patológico ao luto, forçando-o a se expressar sob forma de auto-recriminação, no sentido de que a própria pessoa enlutada é culpada pela perda do objeto amado, isto é, a desejou”.

Amor e perda – as raízes do luto e suas complicações. Colin Murray Parkes. Summus, 2009. 448 págs. R$ 76,90. (Divulgação)

HISTERIA

O pós-Freud

Dividido cronologicamente, Histeria e psicanálise depois de Freud faz um estudo sobre os caminhos tomados nos últimos 60 anos pela psicanálise. O psicólogo Gustavo Adolfo Ramos apresenta um desdobramento de teorias, escolas e técnicas, assim como formulações e reformulações sobre a histeria. O autor examina e comenta textos originados de uma pesquisa realizada nos últimos três anos por ele e sua equipe – um levantamento de mais de 800 resumos e 200 artigos completos – indexados pela Associação Americana de Psicologia (APA) que tratam de toda produção pós-freudiana em vários idiomas (francês, inglês, alemão, espanhol e português). Assim, Ramos oferece a possibilidade de recuperar a memória do próprio movimento psicanalítico no tempo. Dos anos 50, por exemplo, assinala o aparecimento, em psicanálise, da idéia de revisão que poderia se chamar “revolução”, sendo, a partir daí, possível observar conceitos como os do psicanalista Leo Rangell (1959) que fala na revisão da psicanálise, por meio da discussão da proposta de que a conversão não é um direito exclusivo da histeria. Da Editora Unicamp, a obra foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Departamento de Psicologia da Universidade Estadual do Maringá (UEM).

Histeria e psicanálise depois de Freud. Gustavo Adolfo Ramos. Editora Unicamp, 2008. 312 págs. R$54,00. (Divulgação)

Dor deixa rastro no cérebro

 

Pacientes com dor persistente têm aspectos sensoriais alterados, em especial aqueles relacionados com o sistema límbico, responsável pelas emoções. Essas variações potencializam a sensação e agravam o incômodo do paciente crônico. A informação foi apresentada no Brasil pela professora Herta Flor, titular do Departamento de Neurociência Clínica e Cognitiva de Ruprecht-Karls-University de  Heidelberg, na Alemanha. Segundo ela, quanto mais dor um indivíduo apresentar de maneira contínua, mais intensa ela tende a ser no futuro. As alterações neurológicas atingem de maneira similar homens, mulheres e crianças. Isso comprova que os episódios de dor deixam um “rastro de memória”, que são ativados na incidência seguinte e aumentam a sensação de desconforto. A pesquisadora está trabalhando no desenvolvimento de um “tratamento de extinção” ­– uma terapia para suprimir essa recordação traumática. Sua proposta é que o paciente bloqueie alguns aspectos relacionados a essa vivência, para desativar as áreas cerebrais que potencializam a sensação. O estudo foi apresentado na 4.ª Edição do  Congresso Interdisciplinar de Dor (Cindor 2009) da Universidade de São Paulo (USP).

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