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MÍDIA Esquizofrenia na novela O tema da doença mental ganhou o horário nobre quando a vice-diretora do Instituto Nise da Silveira, Patrícia Cavalcanti Schmid, foi convidada pela novelista Glória Perez para ser a consultora do núcleo de esquizofrenia de Caminho das Índias, da Rede Globo. Glória decidiu abordar o distúrbio após assistir a um show do grupo Harmonia Enlouquece, formado por técnicos e pacientes do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ). A autora abriu espaço para o debate sobre a saúde mental por meio de personagens como Ademir, interpretado por Sidney Sampaio, um paciente psiquiátrico, atendido na clínica do Dr. Castanho, vivido por Stênio Garcia; já Bruno Gagliasso é Tarso, um jovem pressionado pelos pais a assumir os negócios da família que sofre de esquizofrenia. Patrícia Cavalcanti Schmid conversou com exclusividade sobre o tema com Mente&Cérebro. Boa leitura! Mente&Cérebro - Como foi o preparo dos atores para a criação dos personagens? Patrícia Schmid - Glória Perez e a pesquisadora a Giovana Manfredi foram muito cuidadosas e realizaram várias visitas preparatórias em instituições como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), os institutos de saúde mental e os centros psiquiátricos. Minha participação começou após um workshop e depois fizemos encontros semanais com os atores para a preparação do elenco. Eles conviveram com pessoas que vivem com esquizofrenia, participaram de oficinas terapêuticas e ouviram muitos depoimentos. M&C - Quais os pontos abordados na trama que você julga mais importantes? Patrícia - Tanto Ademir, que já é apresentado adoecido ao público, quanto Tarso, estão trazendo à tona o sofrimento de quem vive com esquizofrenia, assim como as possibilidades de superação que essas pessoas encontram quando recebem o cuidado adequado. Isso é muito importante, uma vez que mostra como a doença acontece e como pode ser controlada. A novela está mostrando, principalmente, que quando acontece alguma violência, ela é sintomática, causada por algumas psicopatologias, em alguns momentos, mas não se deve cultivar o estigma de periculosidade como uma condição inerente à doença mental. Tenho ouvido todos os dias comentários dos pacientes no meu gabinete, de pessoas que encontro nas ruas, no supermercado, no salão de beleza; o assunto está nas ruas, tema que não se falava comumente. M&C – Essa aproximação do tema pode ser considerada um avanço? Patrícia – Sim, isso é muito importante. Só superaremos o estigma contra as pessoas que sofrem com doença mental se esse for um assunto debatido, pensado, elaborado. A loucura provoca horror, ninguém quer ficar louco. Em seu livro O estigma de cada um (Zahar, 1982) Erving Goffman (1922-1982) aponta que uma estratégia frequente considerar portadores de um estigma como não-humanos. É uma forma de se afastar da questão, de agir como se o problema estivesse no outro, longe de nós. Se ele não é humano, isso nada tem a ver comigo. Acredito que os personagens Ademir e Tarso estejam humanizando a experiência da loucura, mostrando que aquele que sofre é uma pessoa e que o sofrimento humano advindo da doença é abissal. Raramente se considera que o louco sofra. E sofrer é uma das possibilidades. Isso pode ter um impacto no estigma. M&C - Há cenas nas quais são inseridos depoimentos verídicos. Como são escolhidos? Patrícia – Em todos os encontros que realizávamos, Glória nos pedia para contar histórias. Ao longo da novela ela tem usado recortes desses depoimentos. A escolha é totalmente da autora. M&C - Como a abordagem está sendo vista pelas entidades que trabalham com doentes mentais? Patrícia - O retorno que tenho recebido, em geral, é muito positivo. Vários colegas elogiam a abordagem, mas há sempre quem não goste. O campo da saúde mental é pleno de polêmicas, de diferentes concepções e abordagens. A escolha da autora nem sempre agrada a todos, mas tem agradado muita, mas muita gente! Minha principal referência são “os clientes” que estão se sentindo retratados na novela. Para nós que trabalhamos pela reforma psiquiátrica, a novela tem sido uma aliada fenomenal. Transformar a concepção de que o lugar da loucura é asilar demora muito tempo, uma vez que isso é também uma questão cultural. Novelas, especialmente no Brasil, são agentes de impacto na cultura e isso tem nos ajudado muito, já que milhões de pessoas, diariamente, recebem em suas casas, pessoas com esquizofrenia que vivem em sociedade e são atendidas sem exclusão. M&C - Você sentiu um aumento de interessados no assunto ou buscando tratamento? Patrícia - Com certeza. Ouço pessoas que nunca se interessaram sobre esse tema, falarem dele. Outro dia minha manicure me disse que nunca havia pensado que louco pudesse trabalhar. Minha orientadora me contou que a mãe de uma cliente finalmente começou a aceitar que a filha tivesse esquizofrenia ao ver o Tarso na novela. Isso não tem preço e o impacto está apenas começando. M&C - Antes de chegarmos até você, tentamos falar com alguns psiquiatras. Nenhum deles quis comentar o assunto e a forma como estava sendo tratado na novela. Como você vê essa reação dos seus colegas? Patrícia - Alguns profissionais preferem não se comprometer, pois como já comentei nosso campo tem muitas abordagens diferentes e apresenta uma estreita relação com a política. Fui me tornando assessora da novela naturalmente e tenho feito isso de forma voluntária. A maneira como a esquizofrenia está sendo retratada em Tarso e Ademir tem relação com uma forma de abordagem dentro do campo da saúde mental. Uma visão que valoriza o tratamento comunitário, a manutenção dos vínculos sociais e estratégias de reabilitação psicossocial. Glória se inspirou em Nise da Silveira e em sua história de utilização de recursos artísticos para tratar pessoas com esquizofrenia e o Dr. Castanho usa esse método na trama. (Por Flávia Ferreira)

Patrícia Cavalcanti Schmid - vice-diretora do Instituto Nise da Silveira

Rafael França/João Miguel/TV Globo/Divulgação
CONGRESSO Dificuldade de aprendizagem pode estar associada a respiração pela boca e ronco
As doenças otorrinolaringológicas podem acarretar muitos prejuízos de aprendizado. Crianças com distúrbios de audição (aproximadamente de três a sete crianças, em cada mil têm hipoacusia permanente), problemas de voz e respiram pela boca e roncam a noite, apresentando sono agitado, às vezes até com apneia ficam cansadas ou hiper-ativas durante o dia. Esses quadros podem estar associados a déficit de QI e ter conseqüências na escola: entre esses meninos e meninas há o dobro de casos repetência escolar em comparação às crianças que respiram pelo nariz. Esses temas serão discutidos durante o XIX Congresso Mundial de Otorrinolaringologia organizado pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), que acontece pela primeira vez no Brasil, de 1º a 5 de junho. Cerca de 135 crianças em cada 1000 (aproximadamente 13%) sofrem de pelo menos uma dificuldade na comunicação e o problema é ainda maior em países em desenvolvimento e em famílias em situação de pobreza. No Brasil 15% a 28% das crianças são respiradoras bucais e roncadoras. Durante o evento também será discutida a necessidade triagem auditiva dos recém-nascidos.
Mais de 100 países comemoram hoje o 1º Dia Mundial da Esclerose Múltipla Com o objetivo de conscientizar a população sobre a esclerose múltipla (EM) e conseguir fundos para a realização de novos estudos sobre a doença, a Federação Internacional de Esclerose Múltipla (Multiple Sclerosis International Federation - MSIF) comemora hoje, em mais de 100 países, o 1º Dia Mundial da Esclerose Múltipla. De acordo com a federação existem cerca de 2,5 milhões de pacientes em todo o mundo. Já no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), são mais de 30 mil pessoas. Em entrevista, o neurologista Douglas Sato, do Grupo de Doenças Desmielinizantes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), comenta algumas questões sobre a doença e informações para que pessoas com EM possam melhorar seu estilo de vida. 1. Apesar de possuir uma incidência considerável, a EM é uma doença desconhecida no Brasil? Douglas Sato – Ainda é pouco conhecida pela população. Devido ao nome muitas pessoas a confundem com patologias popularmente agrupadas no termo “esclerose”, mais frequentes na senilidade, como a doença de Alzheimer. A EM é uma doença que afeta o sistema nervoso central, com ativação de elementos do sistema imunológico do paciente contra suas próprias estruturas neurológicas. A EM atinge, principalmente, jovens e adultos, entre 20 e 40 anos, em duas mulheres para cada homem. 2. Quais são os sintomas que caracterizam a EM? D. S. – No estágio inicial os pacientes podem apresentar sintomas como visão borrada ou dupla, fadiga, fraqueza, formigamento, dormência nos braços ou pernas, incontinência fecal ou urinária e dificuldade para falar. Além disso, há também relatos de apatia, desatenção, euforia, choro súbito, entre outros. Por isso, é essencial que profissionais de várias especialidades médicas estejam preparados para suspeitar do diagnóstico e indicar o caso para um neurologista. 3. Como a EM é diagnosticada? D. S. – Quando há suspeita de EM, o médico especialista realiza testes minuciosos para confirmar a avaliação clínica. Normalmente, os exames mais comuns são os que analisam as funções motora (controle dos movimentos), sensitiva (controle dos sentidos), tronco cerebral (análise dos nervos cranianos), cerebelar (controle da função motora instintiva, como o equilíbrio) e mental (fala, concentração e vigilância). São também recomendados exames como os de potencial evocado visual (processamento de informações visuais), análise do líquido cefalorraquiano (detecção de inflamação no sistema nervoso central) e ressonância magnética (detecção de lesões no cérebro e medula espinhal). 4. Qual a importância do paciente realizar o tratamento precoce? D. S. – O tratamento precoce é positivo por promover condições para uma redução da atividade inflamatória da EM, clinicamente descrita como surto, fenômeno mais intenso nas fases iniciais da doença. Com isso, é possível conquistar a estabilidade da EM e uma melhor qualidade de vida, adiando o desenvolvimento de possíveis incapacidades físicas. 5. Os surtos podem ser amenizados? D. S. – Eles precisam ser tratados com medicamentos adequados. No entanto, a reversão dos sintomas pode ser total ou parcial, dependendo da reação de cada paciente ao tratamento. Após o atendimento emergencial, é necessário que o tratamento continue sendo administrado, com o objetivo de proteger o paciente de futuros episódios neurológicos que tragam sequelas. 6. O portador de EM pode manter as mesmas atividades que desempenhava antes do diagnóstico? D. S. – Sim, desde que realize o acompanhamento médico e siga o tratamento recomendado. Por se tratar de uma doença crônica, é comum que o paciente fique depressivo ao receber o diagnóstico, mas é possível levar uma vida normal, mesmo que com algumas limitações. A melhor forma para manter a qualidade de vida é buscar o apoio familiar, realizar um tratamento multidisciplinar e se cercar de informações sobre a EM para compreender melhor o que está acontecendo tanto com o seu corpo, como com o seu estado emocional. Até 05 de junho pessoas com esclerose múltipla, familiares e associações podem solicitar gratuitamente no endereço www.esclarecimentomultiplo.com.br, os livros com edição especial: “Juntos nós conseguiremos!”, da escritora alemã Sabine Schepp e “Benjamin – Minha mamãe é especial”, da escritora Stefanie Lazai. Leia mais em: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/a_doenca_do_imprevisto.html
SOFRIMENTO PSÍQUICO MinC e Fiocruz lançam prêmio Loucos pela Diversidade Premiar iniciativas artísticas culturais inovadoras, com foco em fortalecer e dar visibilidade ao trabalho que vem sendo realizado por pessoas, grupos, organizações ou instituições envolvidas com aqueles que têm algum sofrimento psíquico, é o objetivo do primeiro Prêmio Loucos pela Diversidade 2009 – edição Austregésilo Carrano. O edital, que contemplará 55 trabalhos, é uma iniciativa da Secretaria de Identidade e da Diversidade Cultural, do Ministério da Cultura (MinC), e do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (Laps/ENSP/Fiocruz), coordenado pelo psiquiatra e pesquisador Paulo Amarante. As inscrições vão até 13 de julho. Lançado no dia 20 de maio pelo Ministério da Cultura e pela Fiocruz, o edital homenageia nesta primeira edição o escritor brasileiro Austregésilo Carrano, integrante do Movimento da Luta Antimanicomial e autor do livro Canto dos Malditos, no qual narra sua experiência nos hospitais psiquiátricos e denuncia os absurdos cometidos diariamente nessas instituições. O livro deu origem ao filme Bicho de Sete Cabeças. Amarante explica que o edital entregará 55 prêmios entre individuais e coletivos, totalizando o valor de 675 mil reais, por meio de patrocínio da Caixa Econômica Federal. "Esse projeto busca reconhecer iniciativas de artes produzidas por pessoas com algum tipo de sofrimento mental", destacou o pesquisador. O edital é uma das decorrências práticas mais importantes da Política Nacional Loucos pela Diversidade, criada a partir do seminário realizado na ENSP, em agosto de 2007, com a participação do então ministro da Cultura, Gilberto Gil. O edital é dividido em quatro categorias: Iniciativas públicas; organização da sociedade civil; grupos autônomos; e pessoa física. Será adotado pelo edital o critério da regionalização, permitindo, assim, a premiação de todas as regiões brasileiras. Serão destinados cinco prêmios para a região Norte, cinco prêmios para a região Nordeste e cinco prêmios para a região Centro- Oeste, ao menos. Para a escolha dos vencedores, será constituída uma comissão julgadora com artistas da área, e a perspectiva de Paulo Amarante é que a entrega do prêmio aconteça no dia 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental, durante solenidade na Caixa Cultural, localizada no Centro do Rio de Janeiro. A íntegra do edital, bem como as fichas de inscrição e modelo de autorização de veiculação da obra criada estão disponíveis nos arquivos em anexo (formato pdf). Todo o material deverá ser enviado para o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (Laps/ENSP/Fiocruz), responsável pelo concurso. Mais informações: www.ensp.fiocruz.br e www.cultura.org.br
DESENVOLVIMENTO Bebês estressados Um gene pode deflagrar a ansiedade das crianças, mas os pais conseguem anular esse efeito Alguns bebês ficam calmos quando alguma coisa muda em suas vidas e ambiente, enquanto outros ficam agitados e inquietos com qualquer leve alteração do ambiente. Pesquisadores não compreendem completamente por que algumas crianças conseguem lidar melhor com o stress – e se sua resposta é influenciada pelos pais ou pelos genes. De acordo com um novo estudo, a influência é de ambos. A psicóloga comportamental Cathi Propper, da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, e seus colegas estudaram bebês durante vários momentos ao longo do primeiro ano de vida, induzindo stress ao separá-las de suas mães. Usando um eletrocardiograma, os pesquisadores determinaram que o tônus vagal de bebês, um indicador do quanto o nervo vago, que vai do tronco encefálico até a maioria dos órgãos do corpo, afeta as taxas cardíacas. Nos momentos de ansiedade, o tônus vagal diminui, permitindo que o coração acelere e o corpo lide com a situação. Mas alguns dos bebês não mostraram essa variação normal durante períodos estressantes; os pesquisadores descobriram que as crianças que não tinham essa resposta, aos 3 e 6 meses, apresentavam uma variante comum do gene DRD2, que regula os receptores para o neurotransmissor dopamina. Essa variante do gene tem sido associada a um menor número de receptores de dopamina, e está ligada, em adultos, a uma maior tendência a assumir riscos, como jogos de apostas. Bebês que apresentavam a outra variante genética mostraram uma resposta mais típica ao stress. Pesquisadores ressaltam, porém, que esses genes não determinam o destino da criança. Os cientistas também avaliaram o estilo de atuação das mães. “Uma exposição maior a pais sensíveis parece agir contra os efeitos da variante com maiores riscos do gene”, afirma Cathi Propper. Segundo ela, aos 12 meses, crianças com essa variante do gene, que tinham suas necessidades atendidas de forma continente, conseguiam lidar com a ansiedade tão efetivamente quanto as que apresentavam a outra variante.

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