MULHER

O impacto emocional da dor crônica

 

Stress, ansiedade, insegurança e tristeza podem causar não apenas sofrimentos psíquico, mas também aumentar a susceptibilidade à dor física. O Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, mapeou os principais fatores ligados à emoção, aos e hábitos e traços de personalidade que influenciam a qualidade de vida mulheres que sofrem de dores crônicas. Foram acompanhadas, durante o ano de 2008, 173 participantes do grupo de apoio Mulheres que Doem Demais. Segundo 74,55% das pacientes ouvidas, a depressão aumenta a sensação dolorosa; 65,45% disseram que o stress faz aumentar a dor e 67,2% notam que a ansiedade deflagra crises. A principal reclamação das pacientes referia-se à falta de apoio familiar: 49,09% alegaram se sentir emocionalmente carentes, especialmente nos momentos de crise. “Embora o apoio da família e das demais pessoas próximas seja importante e necessário, a mulher precisa aprender a identificar as limitações do outro, buscando em si mesma maneira para amenizar seu sofrimento”, afirma a psicóloga Dirce Perissinotti, coordenadora do grupo. Em paralelo às discussões de grupo, as pacientes respondiam a questionários com indicações do grau de interferência da dor em suas vidas. Segundo Dirce, um dado importante da pesquisa é que 50,91% das mulheres reconhecem que a prática de exercícios físicos diminui a intensidade da dor.

DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

 

Teste do pezinho ampliado pode diagnosticar 46 patologias

 

O teste do pezinho, exame que detecta precocemente doenças que podem levar à deficiência intelectual, ganha um reforço com o exame de Espectrometria de Massas, mais conhecido como teste do pezinho super, capaz de detectar 46 doenças.O exame, o mais completo de triagem neonatal, é realizado com amostra de sangue retirada do calcanhar do bebê, 48 horas após o nascimento.  

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo realiza o procedimento há 33 anos. A instituição foi a pioneira n adoção do exame que, inicialmente, detectava apenas a fenilcetonúria, uma patologia que se não for tratada precocemente leva à deficiência intelectual severa e irreversível.

O trabalho de prevenção resultou em um direito assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990. Hoje, a Apae de São Paulo é o maior Serviço de Referência em Triagem Neonatal (SRTN) credenciado pelo Ministério da Saúde, o que habilita a associação a realizar exames de triagem, tratar e acompanhar crianças que apresentam resultados positivos.O laboratório da organização, equipado com tecnologia de última geração, além de ser o pioneiro no teste do pezinho na América Latina, também se destaca por estar entre os três maiores do mundo em números de crianças triadas. Mais informações pelo site www.apaesp.org.br  ou pelo telefone (11) 5080-7123.

 

 

© Mykola Velychko/istockphoto

RESULTADO DO CONCURSO CULTURAL

 

Olá a todos!

Agrademos aos que enviaram seus comentários para o Blog da Mente&Cérebro a respeito do caso da psicóloga Rozângela Alves Justino acusada de preconceito por prestar serviços a pessoas que querem deixar de ser homossexuais. O julgamento foi adiado para dia 31 de julho. A ganhadora do nosso concurso cultural é Luciana Moreira Alves que receberá um livro O inimigo do meu quarto, de Yoram Yovel.

Parabéns Luciana!

 

Equipe Mente&Cérebro

LUTO

Perdas e ganhos

Somente após entender a natureza e os padrões do afeto é possível compreender o luto; por outro lado, as perdas podem ensinar sobre a natureza dos sentimentos. É com esse pensamento – que parece antagônico – que se baseia o psiquiatra Colin Murray Parkes para escrever Amor e perda – as raízes do luto e suas complicações, lançado pela Summus Editorial. Especialista em luto, o autor aborda as influências positivas e negativas geradas pelo apego em diferentes situações, como é o caso, por exemplo, de filhos de pais separados – que, em alguns casos, podem se tornar mais resistentes a traumas na fase adulta por terem vivido uma experiência difícil na infância. Parkes estuda outras adversidades como a perda dos pais na vida adulta, a de um filho, a privação materna na infância e a de um cônjuge ou parceiro. “É a transitoriedade da vida que engrandece o amor. Quanto maior o risco, mais forte se torna o vínculo. Para a maioria de nós, o fato de que um dia perderemos quem amamos, e eles a nós, nos aproxima, mas se torna um sino silencioso que nos desperta no meio da noite”, afirma. O autor ilustra a obra com citações e em um dos textos usa um trecho de Luto e melancolia (1917), um clássico de Freud: “A perda de um objeto amado constitui excelente oportunidade para que a ambivalência nas relações amorosas se faça efetiva e manifesta. Como conseqüência, quando existe uma disposição para a neurose obsessiva, o conflito devido à ambivalência empresta um cunho patológico ao luto, forçando-o a se expressar sob forma de auto-recriminação, no sentido de que a própria pessoa enlutada é culpada pela perda do objeto amado, isto é, a desejou”.

Amor e perda – as raízes do luto e suas complicações. Colin Murray Parkes. Summus, 2009. 448 págs. R$ 76,90. (Divulgação)

HISTERIA

O pós-Freud

Dividido cronologicamente, Histeria e psicanálise depois de Freud faz um estudo sobre os caminhos tomados nos últimos 60 anos pela psicanálise. O psicólogo Gustavo Adolfo Ramos apresenta um desdobramento de teorias, escolas e técnicas, assim como formulações e reformulações sobre a histeria. O autor examina e comenta textos originados de uma pesquisa realizada nos últimos três anos por ele e sua equipe – um levantamento de mais de 800 resumos e 200 artigos completos – indexados pela Associação Americana de Psicologia (APA) que tratam de toda produção pós-freudiana em vários idiomas (francês, inglês, alemão, espanhol e português). Assim, Ramos oferece a possibilidade de recuperar a memória do próprio movimento psicanalítico no tempo. Dos anos 50, por exemplo, assinala o aparecimento, em psicanálise, da idéia de revisão que poderia se chamar “revolução”, sendo, a partir daí, possível observar conceitos como os do psicanalista Leo Rangell (1959) que fala na revisão da psicanálise, por meio da discussão da proposta de que a conversão não é um direito exclusivo da histeria. Da Editora Unicamp, a obra foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Departamento de Psicologia da Universidade Estadual do Maringá (UEM).

Histeria e psicanálise depois de Freud. Gustavo Adolfo Ramos. Editora Unicamp, 2008. 312 págs. R$54,00. (Divulgação)

Dor deixa rastro no cérebro

 

Pacientes com dor persistente têm aspectos sensoriais alterados, em especial aqueles relacionados com o sistema límbico, responsável pelas emoções. Essas variações potencializam a sensação e agravam o incômodo do paciente crônico. A informação foi apresentada no Brasil pela professora Herta Flor, titular do Departamento de Neurociência Clínica e Cognitiva de Ruprecht-Karls-University de  Heidelberg, na Alemanha. Segundo ela, quanto mais dor um indivíduo apresentar de maneira contínua, mais intensa ela tende a ser no futuro. As alterações neurológicas atingem de maneira similar homens, mulheres e crianças. Isso comprova que os episódios de dor deixam um “rastro de memória”, que são ativados na incidência seguinte e aumentam a sensação de desconforto. A pesquisadora está trabalhando no desenvolvimento de um “tratamento de extinção” ­– uma terapia para suprimir essa recordação traumática. Sua proposta é que o paciente bloqueie alguns aspectos relacionados a essa vivência, para desativar as áreas cerebrais que potencializam a sensação. O estudo foi apresentado na 4.ª Edição do  Congresso Interdisciplinar de Dor (Cindor 2009) da Universidade de São Paulo (USP).

ÉTICA

Campanha contra o uso de peles de animais:

 

A organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA, na sigla em inglês) realiza mais uma campanha atacando o uso de peles de bichos, com a participação das garotas do Rick's Cabaret, uma conhecida boate de topless de Nova York. A campanha terá como slogan "We'd Rather Go Topless Than Wear Fur!" (Preferimos fazer topless a vestir peles) e exibirá seis jovens que trabalham na casa. Ao longo dos anos, o ativismo do grupo já mobilizou modelos, atrizes, atletas e músicos em campanhas que chamam a atenção pelas fortes mensagens e o uso bem-humorado da nudez. Nomes como Kim Basinger, Dennis Rodman, Eva Mendes, Pamela Anderson e a brasileira Fernanda Tavares estão entre os adeptos à luta do PETA contra os hábitos humanos que fazem com que animais sejam tratados com crueldade. O que você pensa sobre isso? O que faz muitos serem insensíveis ao sofrimento alheio, enquanto outros tantos se envolvem na batalha pelos direitos de quem não pode se defender?

LANÇAMENTO

 

Presença sensível, de Daniel Kupermann

 

Hoje, 17 de junho, às 19h, o psicanalista Daniel Kupermann autografa seu livro Presença sensível – Cuidado e criação psicanalítica, na Livraria da Vila. Organizador de outras importantes coletâneas, Kupermann é professor do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e psicanalista membro-fundador da Formação Freudiana. Em Presença sensível, o autor reúne os ensaios escritos ao longo da sua carreira é composta por versões revistas e adaptadas de artigos originalmente publicados em periódicos e compilações – trata do exercício da clínica e das maneiras que o analista pode contribuir para redução do sofrimento dos seus analisados. Dividido em cinco capítulos, o livro contém nove textos, que levantam pontos importantes sobre a história da psicanálise, as condições de pensamento e de trabalho, e principalmente o conjunto que ambos formam. A Livraria da Vila fica na Rua Fradique Coutinho, 915, na Vila Madalena, em São Paulo. Informações: (11) 3814-5811.

 

Divulgação

PALESTRA

Emoções que fazem adoecer

O funcionamento cerebral e as relações entre patologias, emoções e pensamentos, são tema da a palestra gratuita "Emoções que adoecem: modulações pela experiência de vida", na Estação Ciência, em São Paulo, no sábado, 20 de junho, às 15h. Ministrada pelo professor titular e coordenador do grupo temático em neuroimunomodulação da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), a discussão faz parte do ciclo de eventos gratuitos Neuro – Ciências, Arte e Filosofia, que começou em maio e se estende até agosto.

            Outra atração é a inauguração do Laboratório de Microscopia no dia 25 de junho. O espaço é equipado com microscópios e lupas, além de diversos materiais para estudo da célula, como mock-ups de estruturas microscópicas e telas de plasma interligadas aos microscópios. O laboratório será aberto para grupos escolares com agendamento prévio e para visitas do público em geral apenas nos finais de semana.

            Inscrições e informações: eventos@eciencia.usp.br ou (11) 3675 8828.

Cérebro, psiquiatria e neurologia

Por Pedro Antonio Schmidt do Prado Lima e André Palmini

O Sr. CAJ tem 79 anos e um diagnóstico de doença de Parkinson há 15 anos. Ao longo do tempo, desenvolveu os sinais clássicos da doença, evoluindo com rigidez muscular, lentidão dos movimentos, tremor de repouso e instabilidade postural. Entretanto, mais recentemente, as mesmas doses dos medicamentos antiparkinsonianos, especialmente da levodopa e do pramipexole (um agonista dopaminérgico) que permitem uma melhora da mobilidade e do tremor, passaram também a causar alucinações e confusão mental. Nas últimas semanas, o paciente passou a ter alucinações de que policiais armados estavam em sua casa e tornou-se muito agitado, falando que todos na casa seriam presos. Estas manifestações comportamentais passaram a ser o principal problema para o paciente e seus cuidadores. Como a redução das doses dos medicamentos dopaminérgicos levou a uma piora muito importante da movimentação, o recurso utilizado foi, então, a prescrição de clozapina, um neuroléptico atípico. Este fármaco antipsicótico controlou os sintomas de alucinação e agitação psicomotora, sem piorar o quadro motor.

Essa breve vinheta clínica exemplifica uma ocorrência comum em pacientes com doença de Parkinson em estado avançado. Além disso, ilustra com clareza singular o moderno entendimento do cérebro como o “palco” ou o substrato onde expressa-se a mente humana. Modificações cerebrais levam a fenômenos mentais: no caso, alterações na neurotransmissão dopaminérgica, características de uma doença eminentemente neurológica, associam-se também a sintomas psicóticos, classicamente vistos como objeto das doenças psiquiátricas. Um mesmo substrato cerebral molecular – receptores dopaminérgicos – pode, conforme a região envolvida e seu estado de ativação, levar a sinais tão diversos como lentidão de movimentos e sintomas psicóticos.

Com a mesma riqueza, pode-se observar essa associação sob um ponto de partida mental, como é o caso da depressão em pessoas que foram abusadas ou sofreram privações na infância. Um diagnóstico psiquiátrico claro que se associa, sabe-se hoje, a alterações anatômicas no sistema límbico, em especial redução de volume hipocampal. E assim sucedem-se exemplos, com um refinamento cada vez maior do entendimento anátomo-funcional sobre a organização cerebral das emoções e do comportamento humano. Conhecemos cada vez mais os circuitos cerebrais envolvidos nos processos de tomada de decisão, na formação de vínculos, na adição a substâncias de abuso e no controle de emoções básicas como medo e raiva.

A descrição e categorização das “doenças da mente” têm sido tradicionalmente o território da psiquiatria. Entretanto, já vai longe o tempo no qual o advento dos psicofármacos constituía-se no único conjunto formal de evidências de que estava no cérebro a chave da compreensão do funcionamento mental e, por conseguinte, das doenças mentais. Significativos avanços nas diversas esferas do conhecimento englobadas pelo universo das neurociências, em especial a neurogenética e a neuroimagem, têm desvendado, passo a passo, os circuitos envolvidos na expressão das emoções e no controle do comportamento. Se a psicofarmacologia aproximou a psiquiatria do cérebro nas décadas passadas, os enormes avanços na genética e na neuroimagem que vivenciamos hoje tornaram o conhecimento neurobiológico um imperativo para uma boa prática psiquiátrica. Da mesma forma, cada vez menos compreende-se um neurologista que não valorize o entendimento de modificações comportamentais relacionadas a disfunções em circuitos neuroanatômicos que sempre foram e sempre serão a base da prática neurológica.

Para os psiquiatras, a aproximação com a neurobiologia não foi uma conquista simples: sair do conforto de uma especialidade médica ‘sem órgão’ e encampar a tarefa de estudar e compreender os mais complexos fenômenos biológicos que ocorrem em nosso corpo tem exigido um grande esforço e alguns traumas. Em anos recentes, os psiquiatras passaram a ser experts em psicofarmacologia, neuroquímica, biologia molecular e, ultimamente, em neurofisiologia, neuroanatomia e genética.

Toda esta revolução promoveu também a aproximação da psiquiatria com a neurologia e vice-versa. Afinal de contas, ambas especialidades estudam o cérebro. Além disto, muitas vezes estudam os mesmos circuitos, cuja disfunção pode ter como tradução uma “doença neurológica” ou  um “transtorno psiquiátrico”. Esses fatos poderiam gerar competição entre as especialidades e sentimentos corporativos nos profissionais ou ao contrário, serem uma fonte rica de cooperação e de aprendizado mútuo. O Congresso Brasileiro de Cérebro Comportamento e Emoções, que ocorrerá na sua 5ª edição entre 11 e 13 de junho, em Gramado-RS, nasceu e se manteve fiel a este espírito de cooperação. Foi criado pelo desejo de neurologistas e psiquiatras conviverem e aprenderem mutuamente. Além disso, desde o primeiro momento, incorporou também o desejo de ambos de dialogarem e aprenderem com os neurocientistas e com os neuropsicólogos. Fiel a este espírito, foi evitada qualquer alusão à psiquiatria ou à neurologia no nome do congresso, para estabelecer-se como um território em que pessoas interessadas na interface entre cérebro, comportamento e emoções possam dialogar e aprender uns com os outros.
   
A formação do neurologista e do psiquiatra é bastante distinta. Estudam doenças diferentes e examinam os pacientes de forma  diferente. O terreno da neurologia é essencialmente objetivo, o da psiquiatria nem tanto. Psiquiatras e neurologistas são longamente treinados em diagnóstico, mas aprendem a procurar doenças diferentes e utilizam técnicas clínicas diferentes, desta forma se estabelecendo a dificuldade de um exercer o papel do outro. Esta é a essência da existência das duas especialidades, o motivo pelo qual uma não absorve a outra.  A temática do evento tem sido um exercício constante da busca tanto dos pontos em comum quanto das ricas diferenças entre essas duas especialidades médicas. E, como não poderia deixar de ser, incorpora os preciosos elementos aportados pela ciência básica e pela psicologia na multifacetada discussão das relações entre razão, emoção, mente e cérebro.

Pedro Antonio Schmidt do Prado Lima é psiquiatra e pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). André Luis Fernandes Palmini é neurologista, diretor científico do Programa de Cirurgia da Epilepsia do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e Professor Adjunto de Medicina Interna da PUCRS. Ambos são da Comissão Organizadora do Congresso Cérebro, Comportamento Emoções, que ocorreu em Gramado, entre os dias 11 e 13 de junho.

©Sebastian Kaulitzki/Shutterstock

 ACOMPANHADO É MELHOR

 

Partilhar as próprias conquistas com um parceiro é mais prazeroso

 

Emoções compartilhadas – e por isso denominadas sociais – relacionadas à inveja e à alegria de obter sucesso em algum empreendimento costumam ser vividas com mais intensidade que sentimentos como alívio e arrependimento, em geral experimentados de forma solitária. Uma equipe coordenada pelo pesquisador Aldo Rustichini, da Universidade do Minnesota, Estados Unidos, usou a capacidade da pele de captar estímulos e conduzi-los ao cérebro para medir a excitação emocional de voluntários enquanto eles participavam de um jogo de loteria em duas situações: quando apostavam sozinhos e quando o faziam com um parceiro. Os cientistas descobriram que as emoções de inveja e triunfo dos voluntários (quando comparavam suas vitórias com as do outro) eram muito mais fortes que as de alívio e arrependimento (quando jogavam sozinhos). As emoções sociais parecem induzir mais resposta do córtex orbitofrontal e do gânglio basal, regiões do cérebro envolvidas com o processamento de recompensa, de acordo com dados obtidos por meio de exames de ressonância magnética funcional. Também são essas áreas que se excitam quando contamos nossas conquistas a pessoas afetivamente importantes para nós. Os testes de neuroimagem também indicam que partilhar vitórias com quem amamos pode ser tão prazeroso quanto viver o momento da conquista.

O prazer de vencer ficou acima de todas as emoções, no que diz respeito à intensidade, segundo Rustichini, que realizou o estudo com os neurocientistas Nadège Bault e Giorgio Coricelli, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França. A raiz de nosso prazer em nos destacar de forma positiva pode ser evolucionária. Entre animais, uma posição mais alta ajuda na competição por comida e parceiros; entre seres humanos o sucesso (embora nem sempre merecido) pode significar mais dinheiro e reconhecimento dos pares.

CURSO

Educação para a morte

 

Estão abertas as inscrições para a Disciplina “Tanatologia – Educação para a Morte” (MCM 5892), que será ministrada em agosto, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), dentro da Pós-Graduação strictu sensu. Serão 30 vagas para doutorandos e mestrandos, regularmente matriculados em qualquer curso da universidade, e mais cinco vagas para alunos de outras faculdades, que participação como ouvintes.

“Pela primeira vez, uma faculdade brasileira de medicina oferece uma disciplina para formação de professores e pesquisadores com o objetivo de discutir as questões da morte e do morrer de maneira plural e interdisciplinar, por meio de abordagens filosóficas, científicas, pedagógicas e estéticas”, ressalta Franklin Santana Santos, um dos coordenadores do curso. A disciplina é constituída de oito créditos e terá início no dia 8 de agosto. Além de reunir alunos de Medicina e das áreas biológica e ciências da vida, o objetivo da Disciplina é atrair mestrandos e doutorandos de outras áreas do conhecimento como teologia, sociologia, antropologia, filosofia, pedagogia, serviço social, entre outras. Mais informações no site www.fm.usp.br, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

MEMÓRIA

 

Eletricidade para estimular neurônios

 

A passagem de uma corrente elétrica fraca pelo cérebro de estudantes voluntários durante o sono melhorou o desempenho deles em uma tarefa de memorização de palavras. Antes de dormir, os estudantes decoraram 46 pares de palavras e, em média, se lembraram de 36,5 deles. O grupo que recebeu estímulos elétricos, porém, teve essa média aumentada para 41,2 combinações. Os dados sugerem que a eletricidade pode produzir efeito sincronizado sobre determinados neurônios. Os pesquisadores agora investigam o quanto essa melhora pode durar e como o sono profundo afeta a memória. Os seres humanos começam a perder a habilidade de dormir profundamente por volta dos 45 anos, aproximadamente a mesma idade em que a memória começa a decair. O trabalho foi publicado na Nature.

MÍDIA

Esquizofrenia na novela

 

O tema da doença mental ganhou o horário nobre quando a vice-diretora do Instituto Nise da Silveira, Patrícia Cavalcanti Schmid, foi convidada pela novelista Glória Perez para ser a consultora do núcleo de esquizofrenia de Caminho das Índias, da Rede Globo. Glória decidiu abordar o distúrbio após assistir a um show do grupo Harmonia Enlouquece, formado por técnicos e pacientes do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ). A autora abriu espaço para o debate sobre a saúde mental por meio de personagens como Ademir, interpretado por Sidney Sampaio, um paciente psiquiátrico, atendido na clínica do Dr. Castanho, vivido por Stênio Garcia; já Bruno Gagliasso é Tarso, um jovem pressionado pelos pais a assumir os negócios da família que sofre de esquizofrenia. Patrícia Cavalcanti Schmid conversou com exclusividade sobre o tema com Mente&Cérebro. Boa leitura!

 

Mente&Cérebro - Como foi o preparo dos atores para a criação dos personagens?

Patrícia Schmid - Glória Perez e a pesquisadora a Giovana Manfredi foram muito cuidadosas e realizaram várias visitas preparatórias em instituições como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), os institutos de saúde mental e os centros psiquiátricos. Minha participação começou após um workshop e depois fizemos encontros semanais com os atores para a preparação do elenco. Eles conviveram com pessoas que vivem com esquizofrenia, participaram de oficinas terapêuticas e ouviram muitos depoimentos.

 

M&C - Quais os pontos abordados na trama que você julga mais importantes?

Patrícia - Tanto Ademir, que já é apresentado adoecido ao público, quanto Tarso, estão trazendo à tona o sofrimento de quem vive com esquizofrenia, assim como as possibilidades de superação que essas pessoas encontram quando recebem o cuidado adequado. Isso é muito importante, uma vez que mostra como a doença acontece e como pode ser controlada. A novela está mostrando, principalmente, que quando acontece alguma violência, ela é sintomática, causada por algumas psicopatologias, em alguns momentos, mas não se deve cultivar o estigma de periculosidade como uma condição inerente à doença mental. Tenho ouvido todos os dias comentários dos pacientes no meu gabinete, de pessoas que encontro nas ruas, no supermercado, no salão de beleza; o assunto está nas ruas, tema que não se falava comumente.

 

M&C – Essa aproximação do tema pode ser considerada um avanço?

Patrícia – Sim, isso é muito importante. Só superaremos o estigma contra as pessoas que sofrem com doença mental se esse for um assunto debatido, pensado, elaborado. A loucura provoca horror, ninguém quer ficar louco. Em seu livro O estigma de cada um (Zahar, 1982) Erving Goffman (1922-1982) aponta que uma estratégia frequente considerar portadores de um estigma como não-humanos. É uma forma de se afastar da questão, de agir como se o problema estivesse no outro, longe de nós. Se ele não é humano, isso nada tem a ver comigo. Acredito que os personagens Ademir e Tarso estejam humanizando a experiência da loucura, mostrando que aquele que sofre é uma pessoa e que o sofrimento humano advindo da doença é abissal. Raramente se considera que o louco sofra. E sofrer é uma das possibilidades. Isso pode ter um impacto no estigma.

 

M&C - Há cenas nas quais são inseridos depoimentos verídicos. Como são escolhidos?

Patrícia – Em todos os encontros que realizávamos, Glória nos pedia para contar histórias. Ao longo da novela ela tem usado recortes desses depoimentos. A escolha é totalmente da autora.

 

M&C - Como a abordagem está sendo vista pelas entidades que trabalham com doentes mentais?

Patrícia - O retorno que tenho recebido, em geral, é muito positivo. Vários colegas elogiam a abordagem, mas há sempre quem não goste. O campo da saúde mental é pleno de polêmicas, de diferentes concepções e abordagens. A escolha da autora nem sempre agrada a todos, mas tem agradado muita, mas muita gente! Minha principal referência são “os clientes” que estão se sentindo retratados na novela. Para nós que trabalhamos pela reforma psiquiátrica, a novela tem sido uma aliada fenomenal. Transformar a concepção de que o lugar da loucura é asilar demora muito tempo, uma vez que isso é também uma questão cultural. Novelas, especialmente no Brasil, são agentes de impacto na cultura e isso tem nos ajudado muito, já que milhões de pessoas, diariamente, recebem em suas casas, pessoas com esquizofrenia que vivem em sociedade e são atendidas sem exclusão.

 

M&C - Você sentiu um aumento de interessados no assunto ou buscando tratamento?

Patrícia - Com certeza. Ouço pessoas que nunca se interessaram sobre esse tema, falarem dele. Outro dia minha manicure me disse que nunca havia pensado que louco pudesse trabalhar. Minha orientadora me contou que a mãe de uma cliente finalmente começou a aceitar que a filha tivesse esquizofrenia ao ver o Tarso na novela. Isso não tem preço e o impacto está apenas começando.

 

M&C - Antes de chegarmos até você, tentamos falar com alguns psiquiatras. Nenhum deles quis comentar o assunto e a forma como estava sendo tratado na novela. Como você vê essa reação dos seus colegas?

Patrícia - Alguns profissionais preferem não se comprometer, pois como já comentei nosso campo tem muitas abordagens diferentes e apresenta uma estreita relação com a política. Fui me tornando assessora da novela naturalmente e tenho feito isso de forma voluntária. A maneira como a esquizofrenia está sendo retratada em Tarso e Ademir tem relação com uma forma de abordagem dentro do campo da saúde mental. Uma visão que valoriza o tratamento comunitário, a manutenção dos vínculos sociais e estratégias de reabilitação psicossocial. Glória se inspirou em Nise da Silveira e em sua história de utilização de recursos artísticos para tratar pessoas com esquizofrenia e o Dr. Castanho usa esse método na trama. (Por Flávia Ferreira)

Patrícia Cavalcanti Schmid - vice-diretora do Instituto Nise da Silveira

 

 

Rafael França/João Miguel/TV Globo/Divulgação

CONGRESSO

Dificuldade de aprendizagem pode estar associada a respiração pela boca e ronco

 

As doenças otorrinolaringológicas podem acarretar muitos prejuízos de aprendizado. Crianças com distúrbios de audição (aproximadamente de três a sete crianças, em cada mil têm hipoacusia permanente), problemas de voz e respiram pela boca e roncam a noite, apresentando sono agitado, às vezes até com apneia ficam cansadas ou hiper-ativas durante o dia. Esses quadros podem estar associados a déficit de QI e ter conseqüências na escola: entre esses meninos e meninas há o dobro de casos repetência escolar em comparação às crianças que respiram pelo nariz. Esses temas serão discutidos durante o XIX Congresso Mundial de Otorrinolaringologia organizado pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), que acontece pela primeira vez no Brasil, de 1º a 5 de junho. Cerca de 135  crianças em cada 1000 (aproximadamente 13%) sofrem de pelo menos uma dificuldade na comunicação e o problema é ainda maior em países em desenvolvimento e em famílias em situação de pobreza. No Brasil 15% a 28% das crianças são respiradoras bucais e roncadoras. Durante o evento também será discutida a necessidade triagem auditiva dos recém-nascidos. 

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